10 de fevereiro de 2014

Herman Dooyeweerd - Sobre Dr. Kuyper

Esferas de Soberania 

Abraham Kuyper (1837 - 1920)

A vida de Abraham Kuyper começou numa pequena cidade de Maassluis, no dia 29 de outubro de 1837. Ao longo do primeiro pastorato desenvolveu uma profunda devoção por Jesus Cristo, fato que o levou a um profundo compromisso com os princípios calvinistas, que influenciara de modo definitivo sua carreira posterior. Trabalhou incansavelmente. Publicou dois jornais, liderou um movimento de reforma fora da igreja estatal, fundou a Universidade Livre de Amsterdam e atuou como Primeiro Ministro da Holanda. Faleceu no dia 8 de novembro de 1920, depois de ter lutado sem descanso para integrar a fé na vida. Na verdade, a ênfase de Kuyper sobre a formação de uma visão de mundo teve uma influência transformadora no movimento evangélico, por intermédio da diáspora das igrejas holandesas reformadas.

Em meados do século XIX, no ambiente político holandês crescia a simptia por idéias do tipo “Nenhum Deus, nenhum senhor!”, bordão da Revolução Francesa que muito preocupava Kuyper. Desejar a liberdade política por intermédio de um governo opressivo ou de uma religião herege era uma coisa, mas erradicar, como esferas de mútua influência, a religião da política, era algo impensável para Kuyper. Porque o homem é pecador, argumentava, um Estado que derive seu do poder dos homens não pode evitas os vícios da natureza humana decaída. Um governo verdadeiramente limitado floresce quando as pessoas reconhecem a condição de pecadoras e de Deus como autoridade divina. Nas palavras de Kuyper: “A soberania do Estado como o poder que protege os indivíduos e que define as relações mútuas dentre as esferas visíveis, ergue-se bem acima delas pelo seu direito de comandar e compelir. Mas dentro dessas esferas... outra autoridade governa, uma autoridade que descende diretamente de Deus, independente do Estado. Essa autoridade o Estado não pode conferir, mas admitir.”

A visão da doutrina de esferas de soberania de Kuyper não se limita aos círculos das igrejas reformadas. A tradição da doutrina social da igreja Católica Romana desenvolveu um conceito similar, o princípio da subsidiariedade. Segundo o Catecismo da Igreja Católica, “uma sociedade de ordem superior não deve interferir na vida interna de uam sociedade inferior, privando-a de suas competências, mas deve, antes, apoiá-la em caso de necessidade e ajudá-la a coordenar sua ação com as dos outros elementos que compõem a sociedade, tendo em vista o bem comum” (§1883).Como concordaria Kuyper, o Estado que perde de vista o bem comum, já embarcou no caminho do estatismo.

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Soli Deo Gloria
Jesse Almeida