17 de setembro de 2013

A Doutrina Reformada acerca da Revelação



Primeiramente precisamos reafirmar a doutrina das escrituras, não porque seja a mais importante, mas por ser alicerce e normativa (canôn = vara de medir). Se faz necessário deixar claro sua suficiência, autoridade, clareza e necessidade[1]. Fato esse, que nos impede de imprimir toda e qualquer ação humana, afinal a excelência das escrituras está no fato de Deus revelar sua vontade de forma geral e especial. Aprouve a Deus falar de várias formas, por último por meio de seu filho[2].
Em segundo lugar, e não menos importante, destaca-se que a revelação natural e especial que se completam, mesmo sendo totalmente diferentes. A revelação natural que são obras de suas mãos, a natureza e tudo o que foi criado, anuncia que há um criador:
Os céus proclamam a glória de Deus e o firmamento anuncia as obras das suas mãos. Um dia discursa a outro dia e uma noite revela conhecimento a outra noite. Não há linguagem, nem há palavras, e deles não se ouve nenhum som; no entanto, por toda a terra se faz ouvir a sua voz, e as suas palavras até aos confins do mundo[3].
Contudo, a revelação natural é insuficiente para salvar o homem. Em pensar que a queda trouxe uma realidade ainda obscura, isto é, no sentido de colocar um membrana em nossos olhos, ela aponta que precisamos de outro tipo de revelação e essa sim encarnada na pessoa de Jesus. Como diz o apóstolo Paulo[4]:
"Pois o que de Deus se pode conhecer é manifesto entre eles, porque Deus lhes manifestou. Pois desde a criação do mundo os atributos invisíveis de Deus, seu eterno poder e sua natureza divina, têm sido vistos claramente, sendo compreendidos por meio das coisas criadas, de forma que tais homens (os incrédulos) são indesculpáveis; porque, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe renderam graças, mas os seus pensamentos tornaram-se fúteis e os seus corações insensatos se obscureceram. Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos...”
Já a revelação especial e essa sim suficiente, foi possível porque Deus, através de seus movimentos na história, se deu a conhecer separando um povo para si, guiando por meio de Moisés, os profetas, Davi, Salomão, os apóstolo e especialmente Cristo, revelado a igreja.
Entretanto, ao ver que seria insuficiente a revelação natural e a absoluta revelação especial, foi do desejo de Deus que essa revelação fosse toda escrita e fosse fonte última de total exame, visto que a natureza do homem fatalmente destruiria o propósito inicial da revelação especial, pois sua natureza é caída. Portanto, o próprio Deus se encarregou através do Espírito Santo inspirar homens, para que escrevessem as escrituras sem algum erro sequer.
A palavra escrita o meio escolhido por Deus para a salvação, santificação, culto, serviço e vida do homem, a bíblia toda é a revelação especial,  as mensagens diretas de Deus aos profetas e a outros, como registradas nas verídicas histórias da bíblia.


[1] Grudem, Wayne – Entenda a fé Cristã, pg. 13-22
[2] Hb. 1.1
[3] Sl 19:1-4
[4] Rm.1.19-22