IdeFácil

17 de janeiro de 2012

Os ultimos tempos: liquefação!


Nos últimos dias, o amor de muitos esfriará! Os homens ficarão amantes de si mesmos, não haverá respeito, as relações serão por auto-interesse (adam smith) e não mais pelo simples fato de conhecer alguém, ou mesmo, aprender o que há de bom nas pessoas próximas.

Quero fazer um paralelo entre as idéias de Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, e o que a escritura tem nos dizer. Primeiro as escrituras, que é nossa matéria prima. Em Mateus 24 - no sermão profético, Jesus conta aos seus discípulos não quando, mas o início de quando as coisas terminarão.

Jesus então começa a relatar, no caminho, do seu jeito. No evangelho de Marcos, consta um discípulo anônimo, que fica espantado com as pedras do templo. Não é por menos: sua fachada de ouro, pedras enormes, podendo chegar a 10 metros de comprimento. Realmente devia ser impressionante observá-lo frente ao monte das oliveiras¹. 

Bem, para o judeu o templo significa estabilidade, segurança e sinal da presença de Deus no meio do povo. Sem dúvida, qualquer um ficaria perturbado ao saber que aquela estrutura viria abaixo. É o que acontece em 70 D.C, quando jerusalém é destruída. 

O outro evento é propriamente dito sua vinda, ou melhor, sua segunda vinda. É de suma importância destacar que os eventos foram registrados juntos para confirmar aquele que fala, ou seja, toda vez que lermos o texto de Mt.24, lembraremos da destruição do templo. Ah, Sim! Depois viria o fim. Não! A tradução é: dores de parto (odinon); princípio das dores..

E aí, nas dores de parto, viriam muitos em seu nome dizendo que é o Cristo (INRI, Jesus Cristo Homem e etc...) e o pior é que tem gente que acredita. Guerras ou até mesmo rumores de guerras, mas Jesus nos disse para ficarmos tranquilos, pois é resultado de políticos corruptos, má administração, distância da salvação e do evangelho. Desassossego político e internacional (vv 6-7). 

Lendo um pouco o cenário, os cristãos não eram bem vistos, e as pressões individuais e coletivas eram postas as claras no dia-dia. Vamos ser francos, com a expansão do então cristão Imperador Cosntantino, ser da fé era quase que status. Portanto, aqueles que realmente professavam, os que não eram nominais, foram forçados viver clandestinamente (que coincidência com nossos dias). 

Pasmem, as sinagogas e tribunais não são lugares diferentes para o judeu, são a mesma coisa para judeus que viviam no exterior. Uma comunidade de 120 judeus resolvia suas questões na sinagoga² tolerada pelos romanos. No verso 8, a palavra que nos explica o contexto é hypomonein = resistir, aguentar. Porque essa palavra, assim que os tribunais (nas sinagogas) davam sua sentença, os réus não eram literalmente torturados, mas chicoteados. O método era 40 açoites. Hoje em dia não somos mais açoitados ou chicoteados, mas somos postos para fora, excluídos como radicais demais, gente que incomoda por ser correta e encarar as coisas como são.

O segunda momento que devemos analisar é que Jesus disse que se multiplicará a iniqüidade (o pecado), não por vontade própria ou pelo seu decreto, mas por causa da consequência da maldade de toda humanidade. Deus não disse que ele faria isso porque teria prazer nisso, porque a bíblia diz claramente em Gálatas 6:7 “Não se enganem: de Deus não se zomba. O que uma pessoa plantar, é isso mesmo que colherá.” Na verdade, o que está acontecendo no mundo é a colheita da maldade e perversidade do coração de toda a humanidade. 

Quando analisamos profundamente as palavras de Jesus que diz que o amor de muito se esfriará, perguntamos: “o nosso amor se esfriará de que maneira?”. Como o meu amor tem se enfraquecido? A tradução do verbo grego esfriar, nesse versículo, significa um “amor enfraquecido”. 

Segundo Baumam, a modernidade não nos trouxe qualidade de vida, mas trouxe a individualização das relações. 
Jonathan Rowe nos lembra:
...."No final da década de 1990, em meio ao boom da alta tecnologia, passei algumas horas num café na área dos teatros de São Francisco... Observei uma cena recorrente lá fora. A mãe está amamentando o bebê. Os garotos estão beliscando seus bolinhos, em suas cadeiras, com os pés balançando. E lá está o pai, ligeiramente reclinado sobre a mesa, falando ao celular ... Deveria ser uma "revolução nas comunicações", e no entanto aqui, no epicentro tecnológico, os membros dessa família estavam evitando os olhares uns dos outros"... 

Dois anos depois, Rowe provavelmente veria quatro celulares em operação em torno da mesa. Os aparelhos não impediriam que a mãe amamentasse o bebê nem que os garotos beliscassem seus bolinhos. Mas tornariam desnecessário que eles evitassem olhar-se nos olhos: àquela altura, de qualquer forma, os olhos já se teriam tornado paredes em branco — e uma parede em branco não pode sofrer danos por encarar uma outra. Com tempo suficiente, os celulares treinariam os olhos a olhar sem ver... 

...Os contatos exigem menos tempo e esforço para serem estabelecidos, e também para serem rompidos. A distância não é obstáculo para se entrar em contato — mas entrar em contato não é obstáculo para se permanecer à parte. Os espasmos da proximidade virtual terminam, idealmente, sem sobras nem sedimentos permanentes. Ela pode ser encerrada, real e metaforicamente, sem nada mais que o apertar de um botão. A realização mais importante da proximidade virtual parece ser a separação entre comunicação e relacionamento³.

Com avanço tecnológico todos acharam que as pessoas viveriam melhor. Teriam qualidade de vida, as distâncias seriam menores e na verdade isso aconteceu em parte. A distância acabou e a qualidade de vida não obtivemos, porque com a rapidez com que adiciono, eu também excluo. Não há vínculo, não há olho no olho. Aqui vai um exemplo disso: Há dez anos atrás, estávamos sentados, alguns amigos e um professor do seminário, conversávamos sobre um site de relacionamento, até então uma febre, chegamos a conclusão que a verdadeira comunidade era aquela rodinha que estava ali constituída de seis pessoas trocando idéias, falando sobre livros, emitindo opiniões acerca de alguns assuntos, enfim, estabelecendo vínculos.

Depois de tudo isso, vamos tomar um café?

Soli Deo Gloria
Jessé Almeida 
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1 - Davidson, O novo Comentário bíblico, pg. 108
2 - Lohse VII, p 864
3 - BAUMAN, Zygmunt. Amor líquido: sobre a fragilidade dos laços humanos. Ed., 2004.pg.38-39


Posted on by Jesse Almeida