IdeFácil

23 de dezembro de 2011

Quanto Pior, Melhor!

Carlos Moreira

Nos últimos 15 anos, trabalhando como executivo, aprendi muita coisa. Na área da Tecnologia a competição sempre foi bastante acirrada, pois o mercado é muito dinâmico, as margens são apertadas, há muitos players, os produtos são commodities... Sobreviver neste ambiente é tarefa hercúlea!

A boa notícia, entretanto, é que percebo claramente nos últimos tempos um movimento em busca de padrões éticos que não “canibalizem” a atuação das empresas em busca de clientes. Há, inclusive, Companhias que não só observam estes padrões mais os tornam determinantes na hora de escolher com quem vão trabalhar.

Quem dera fosse assim também entre aqueles que trabalham no Reino de Deus... Confesso, todavia, com tristeza, que o ambiente eclesiástico – desde os históricos, passando pelos reformados, chegando aos pentecostais, adentrando entre os pós-pentecostais e até em meio aos Católicos Romanos – tem se tornado um lugar insalubre em suas propostas, práticas e, sobretudo, no convívio entre seus líderes.

O que se vê na mídia em geral é gente atacando e sendo atacada, literalmente se “devorando”, auto-proclamando-se mais “espiritual”, mais bem preparada, com maior “pedigree”, portadora de “poderes do alto”, pois em seus “cultos” existem mais “conversões”, “milagres”, “libertações”, “curas” e até “exorcismos”! É a “tenda dos milagres” personalizada, pregando um “evangelho”, não raro, distorcido, o qual se tornou produto “enlatado” para consumo de gente desesperada. Estes correm o risco de se tornarem traficantes do Sagrado, intermediando supostos “benefícios” do céu na Terra através do “cartório-igreja” em nome do qual, supostamente, estão autorizados a prestar tal “serviço”.

Assisto periodicamente pastores se auto-flagelando, falando mal do ministério alheio, acusando o outro de ser embusteiro, falsário, mentiroso e até bandido! Ora, é óbvio que aqui não estou tratando dos que fazem a apologética da fé, nem muito menos do caráter profético relativo à denúncia dos extravios, mas das “guerrilhas” que acontecem entre os players do “mercado da salvação”, cada um querendo encher mais a sua “botija”, defender sua fatia do “market share” dos perdidos, e isto sem qualquer critério ético ou moral!

Os “pastores” estão neurotizados, buscam viabilizar seus próprios ministérios, tentam catapultá-lo na TV, nas revistas e outras mídias, como se isso fosse possível! Igrejas selecionam ministros por sua formação, currículo, por falarem mais de um idioma, e não por sua piedade, devoção, vida de oração e santidade. No fundo são crianças atrás dos 3 P’s: palco, púlpitos e platéia. Ora, estes ainda não aprenderam como convém saber, e pensam que podem ter alguma autoridade sem que dos céus lhes seja dada. A estes digo: quebrem suas algemas de microfones e destruam seus palanques de pregação, tomem sua cruz e sigam-no!

Nestes meios Jesus vem sendo reduzido a uma espécie de “pedra de toque”, manuseada por “aprendizes de feiticeiros” para que se realizem pseudo-milagres. O Senhor passou a ser tratado como adereço imantado para produzir “pontos de contato” para uma fé mágica, foi reduzido a ser coadjuvante de “gente importante”, figurões do mundo “evangélico” e “gospel”.

Quero dizer duas coisas: a primeira é o texto de Paulo aos Filipenses 1:18: “Mas que importa? Contanto que Cristo seja anunciado de toda a maneira, ou com fingimento ou em verdade, nisto me regozijo, e me regozijarei ainda”.

Paulo não se preocupava com QUEM pregava, mas apenas com O QUE se pregava. Deus tratará do mensageiro, e esse problema não é nem meu nem seu! Devemos ficar atentos quanto a eventuais desvios do “eixo” das Escrituras, da chave hermenêutica que é Jesus, pois ainda que um anjo dos céus nos pregue outro Evangelho que não seja o de Cristo, este será maldito e mentiroso! O resto, é com Ele!

A segunda coisa é o texto de Lucas 9:49-50: “E, respondendo João, disse: Mestre, vimos um que em teu nome expulsava os demônios, e lho proibimos, porque não te segue conosco.E Jesus lhes disse: Não o proibais, porque quem não é contra nós é por nós”.

Os discípulos estavam preocupados que a “franquia do Divino” estava saindo do controle deles, que pensavam em cartelizar o Sagrado. Eles imaginavam abrir a “Jesus SA”, uma companhia para realizar a divulgação do Evangelho. Mal sabiam, entretanto, que transeuntes anônimos levariam a Boa Semente de Jerusalém para os confins da Terra, disseminando a mensagem de que “Deus estava em Cristo reconciliando com Ele o mundo e não imputando aos homens os seus pecados”.

Sei que muitos dos que aí estão são “pastores-lobos” e que torcem pela desgraça dos outros, buscam “despojos” daqueles que, por algum motivo existencial, enfrentando perdas e danos, naufragaram em seus ministérios. A tônica deles é: “Quanto Pior, Melhor!”. Vejo gente conspirando, amaldiçoando, mentindo, destratando, irmão contra irmão, um espetáculo que leva o mundo a jamais querer fazer parte de nossa “confraria”, pois, diante de tanta aberração, só há algo que possa ser afirmado: “vejam como eles se odeiam!”.

A mim, todavia, que importa? É certo que compareceremos diante do Tribunal de Cristo e, diante dEle, quem irá dissimular ou mentir? Naquele momento teremos de dar contas de tudo que tivermos feito por meio do corpo, pois Ele sonda os segredos de nossas almas, os propósitos de nossas motivações, os conteúdos de nossos corações, nossos esforços e labor. Por isso, fique tranqüilo, e deixe Deus ser Deus!

Carlos Moreira é culpado por tudo o que escreve. Ele posta aqui no Genizah e na Nova Cristandade. 

Extraído: Genizah
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Posted on by Jesse Almeida