30 de maio de 2010

5º dia - Iluminação do Espírito e a prática do pensamento

Irmãos, confesso! Fui forçado a colocar nada do que sei, diante daquele que tudo sabe, até mesmo o que penso que sei. Porque nossa teologia é ajuste e correção, pois todo esforço intelectual para o conhecimento de Deus nos humilhará e reduzirá nossa capacidade de percepção a um piscar de olhos (para nós um piscar não é nada, ainda por cima é rápido, como se olhar ao espelho, logo se esquece).

Queridos, dia 28\05 ficará marcado, pelo menos na minha vida. A palestra foi ministrada com humildade, simplicidade e muita profundidade pelo Pr. Jonas Madureia -   Bacharel em Teologia pelo Betel Brasileiro em São Paulo; Bacharel e mestre em Filosofia pela PUC-SP; Doutorando em Filosofia pela USP. Professor de Teologia Sistemática, Teologia Contemporânea e Filosofia do Betel Brasileiro e do Young San do Brasil. Autor do livro "Filosofia" do Curso Vida Nova de Teologia Básica publicado por Edições Vida Nova. Em 2005, recebeu da PUC-SP a premiação de Menção Honrosa, na área de Filosofia, pelo estudo que apresentou sobre a doutrina do conhecimento negativo de Deus em Tomás de Aquino. É editor de Edições Vida Nova.
Sua palestra começou com um poema de Álvaro de Campos (Fernando Pessoa) - Tabacaria, vale a pena transcrever:
"Vivi, estudei, amei e até cri,
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses
(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo
E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente

Fiz de mim o que não soube
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.

Mediante o poema de Fernando Pessoa, o Pr. Jonas faz uma comparação ao Bispo de Hipona (Agostinho), que no auge de sua importância para igreja aos 55 anos, tendo uma estabilidade ministerial, escreve confissões, ou melhor, um tira máscaras como pontua o poema supracitado.

Partindo desse prossuposto, O Pr. Jonas analisou 1 Co. 13.12 - "Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido". Traz consigo a interpretação de Agostinho da "parte b" do verso: "Que eu te conheça, ó conhecedor de mim, que eu te conheça, tal como sou conhecido por ti". Agostinho aqui expressa sua vontade de conhecer a Deus, assim como é conhecido, porque tudo que tenho é espelho, se é espelho, portanto é precário. Somente quando encontro aquele que é, pronto me encontro, pois ele é (pois tem conhecimento pleno de tudo que existe).
Podemos perceber através de Agostinho que toda percepção do eterno que temos é precária (espelho), e também revela que nossa perceção de nós mesmos é precária.

Só podemos fazer teologia quando nossa "inteligência está humilhada", porque estaremos à altura daquilo que Deus proporcionou para nós. Isso nos frustra, mas diz quem nós somos. Contudo, Deus nos ilumina e isso nos traz uma implicação, pois sua iluminção trará também as trevas que existem em nós.

Calvino vai nos dizer no cap. 1 que conhecer a Deus consiste em conhecer a nós mesmos, ou melhor, encontrar a Deus que é, fará com que eu me encontre. E então agostinho deixa registrado no livro X, cap VI: "Porém o que amo, quando te amo?". O amo quando te encontro em oração.
"Oração é perspectiva de Deus. Pensar teologia é fazer a manutenção de nossas perspectivas".
Para finalizar, o Pr. Jonas cita Lutero: "Criaste para vós e o nosso coração permanece inquieto quando não repousa em vós".

Algumas frases da noite:
"Ninguém faz teologia para ser expert em Deus, porque tudo o que sabemos é limitado e em parte. A BOA teologia é resultado da humilhação"

"Não podemos nos conhecer nem conhecer a Deus sem oração e intimidade com o Pai"  

"A nossa caminhada cristã é apenas uma coisa: corrigir constantemente a nossa perspectiva"

"Quando eu penso, tenho uma perspectiva. Portanto, é preciso luz para corrigir a perspectiva. E essa luz só vem de Deus"

"A nossa crise não está na teologia, mas na caminhada errada, desajustada com a vontade e o correto ensino registrado na Palavra"

"Não é Deus que vai nos corrigir. Nós precisamos corrigir o pensamento"
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Blog do Pr. Jonas  - Teologia e Cosmovisão

Soli Deo Gloria
Jessé almeida.